Intercessão

Posted in Artigo, conto-curto on 02/09/2011 by Fernando

– Mãe! Você por aqui… Não veio ontem…

– Ocupada, meu filho. Lavando, passando e ainda fiz uma faxina… Trouxe bolo.

– Oba! É de cenoura? Não devia se matar deste jeito…

– Fiz de laranja. Dizem que a cenoura está que é puro agrotóxico.

– Quais são as novidades? O que se conta de bom?

– Está tudo velho. Não anda lá essas coisas. O de sempre…

– O de sempre e como sempre, não? Chega a dar tédio… Humm está uma delícia!

– Você quer que eu faça café?

– Obrigado, mãe, mas estou evitando. Parei com o cigarro…

– Não devia comer nada a seco. Você sabe a prisão de ventre que tem…

– Você tem razão. Não obro há dois dias. Aceitaria era uma vitamina das suas… Faz?

– Agorinha mesmo. Já comprou a aveia que tinha acabado?

– Hoje mesmo. Ainda está naquela sacola, em cima da pia…

– Meu filho… Isto está uma bagunça… E você nem me deixa arrumar…

– Mãe, não quero abusar. Não ligo para isto – e você não é mais nenhuma garotinha…

– Eu vim pelo Jurandir. Está se esvaindo. Agora é só água e já falaram no cólera…

– Cólera divina, com toda certeza. Sempre fazendo por onde…

– É fraco, não sabe? Sempre fez o que pôde.

– Verdade. E sempre foi rápido em entregar-se àquilo que não pôde…

– Meu filho, ele está muito mal… E sofrendo bastante. Sempre sofreu. Você podia…

– Talvez sim, se ele merecesse. Mas, você sabe: é um verdadeiro pilantra!

– Coitado! Com aquela vida que tem… Sempre sem chances de endireitar o rumo…

– Eu sei. Mas… sei lá… parece que já não tem jeito. E acabou gostando assim mesmo.

– Nós já vimos gente pior… E que acabou se acertando…

– Um aqui, hoje… outro ali – uns dez anos depois…

– Eu sei, meu querido. Tudo muito difícil… verdadeira odisséia…

– Lembrou bem! Homero era cego: e olha o trabalho que fez. Lutou, se esforçou.

– É assim mesmo. Uns deixam obras, outros deixam filhos; crianças que vão passar fome…

– O Jurandir já anda em que número?

– Quatro meninos e cinco meninas. Tudo ainda pequeno, naquele capinzal esquecido…

– Não perdeu tempo, não é? Que gente! Dão sempre um jeito de piorar as coisas…

– Eles não sabem direito o que fazem… Meu filho… ele me pediu tanto!

– Imagino. Nessas horas é que se lembram…

– Já é alguma coisa. Tome, beba tudo: não botei muito açúcar, porque faz mal aos dentes…

– …to boa, só mesmo você… não há lanchonete que imite isto… consola a gente…

– Tão fácil… E não dá trabalho nenhum… Meu filho, faça isto pela sua mãe…

– O que a senhora me pede chorando… que eu não faça sorrindo?… Não sai um beijinho?…

– Tome, querido. Você anda tão magro…

– É de trabalhar de graça… Já está, mãe! Parou a corredeira, e amanhã o bruto levanta.

– Obrigada, meu filho! É muita bondade! Sabia que iria ter pena…

– Vai, minha velha. Eu agora tenho o batente… A senhora devia era fazer o curso de Direito…

Delivery

Posted in conto-curto on 02/09/2011 by Fernando

Quando caíram-lhe as retinas, o cego Josias já havia completado pouco mais que dez anos como contador do Tribunal de Contas… Dizia ele que foi durante o exame de uns orçamentos onde a fraude saltava aos olhos.

Portanto, aposentou-se ainda novo, com menos de 40, levando o salário integral para sua casa agora escura. Mais tarde, um advogado de portas afora conseguiu-lhe uma indenização por insalubridade: provou que a luz fora-lhe tomada por razões de doença laboral – mais de dez anos de vista grossa obrigatória que lhe era impingida pelos grandes do Tribunal.

Estava mais bem de vida do que jamais estivera. E cego como uma porta.

E é justamente por isto que “mandava vir” e não ia ele próprio…

Muito bem.

Já havia telefonado e esperava.

Chegou. Imediatamente ele adotou o cachorrinho, sua posição preferida… Foram só uns minutos de língua entrando em ouvido, para acender bem a moça. Ele já estava.

Arrancou a cueca, que era a única coisa que vestia dentro de casa, nos meses de Verão. Sintonizava os botões dos mamilos – e eles eram duros, firmes! -, enquanto, com a boca, continuava o trabalho de sugar aquelas orelhas cheirosas e chupar uma boca carnuda, quente e gostosa, que não podia enxergar…

É claro, durante este encaixe traseiro de bocas e pescoços meio torcidos, o cego ia com a pica – ceguíssima de ardores – buscando o talho molhado onde, entre uma arremetida e um resvalo frustrante e outro, ela, a pica pulsante e empinada em grossa verga, haveria de achar por si mesma o caminho e penetrar profundamente, até o talo e de saco puxado para trás – a modo de inteirar pica -, na menina-delivery sem nome…

Depois seria o de sempre… Um cigarro após a primeira e uma conversa leve, de ceguinho simpático… Seria, justamente neste bate-papo, entre a primeira e a segunda trepada, que surgiria naturalmente o assunto…

Que ele, um pobre homem cego, tinha lá a sua fantasia não realizada de penetrar, somente um pouquinho, somente com a cabecinha, um cuzinho – carinhosamente e só para experimentar…

Mas primeiro a caverna das delícias! Ah! E seria vara no útero, estocada mesmo, com a chapeleta rombuda e de bom calibre que Deus lhe dera… E lavar aquelas entranhas quentes com dois ou três jatos poderosos de esporra, porque os outros, os subsequentes, não seriam tão fortes… Mas, sim, ainda iria muita coisa. E, depois, mais – no segundo tempo…

Mas esta… Seria novata? Seria apertada ainda? Nunca se sabe – e tudo tem um começo, até putinha-delivery… Ou, talvez, não; podia ser por causa da sorte… essa, essazinha… roliça e cheirosa como nenhuma das que já recebera antes!… Que coisinha!

Bem. Podia era ser que ela o tivesse acendido até o ponto de que houvesse perdido o senso de direção – e já não sabia mais o que mais desejava: se sugar, resvalar, apertá-la por trás e continuar rodando-lhe as maminhas… Ou alcançar logo – mas seria acabar num instante! – àquela racha de carne molhada…

Varadíssimo, envergadíssimo e no paroxismo total do tesão, o cego Josias sentiu-se prestes e jogar tudo aquilo de leite vulcânico num lado qualquer, de fora; e isto não queria. Seria desperdício demais…

Então apelou. E largou um dos peitos, pegou a cabeça da rola – que estava pulsando mais do que coração de coelho que sabe que vai morrer… Foi guiando a caralha, com a mão, mas encontrou… outro caralho e um saco, pesado e ovudo na parte de baixo das nádegas!

Em transporte de desespero e de deleite – não fosse tudo explodir repentinamente -, guiou a glande larga e lubrificada com o espírito de esperma que já minava da uretra ao ponto de escorrer… E atolou o caralho profundamente num cu rebolante, dançante e de movimentos planetários de batedeira… Até gozar, como nunca havia gozado – jamais! – antes…

Trimm… Trimm… Trimm…

– Alô! Seu Josias?

– Ele mesmo! Não tinha outra hora para ligar?

– O senhor desculpe… Houve um engano… Quando a moça chegar aí…

– O que aconteceu?

– Ela pegou a “comanda” errada. Ela era para outro cliente… O senhor mande voltar, sim?

– Voltar?…

– Sim. Assim que chegar aí. Porque já mandamos a garota certa… Já vai chegar… meia hora…

– Tá. Eu mando embora.

Em seguida, o cego tentou recolocar o telefone no gancho… mas… estava ainda tonto… e não encontrava a base do aparelho: descompensado, lânguido; desfalecia – quase…

Atirou o fone no chão e abraçou novamente, com ardor redobrado, a mocinha maravilhosa – que viera por engano…

– Você não volta mais, viu? Se quiser, fica aqui… Mora comigo – e eu te dou de tudo…

– Danadinho…

– E agora me enraba, mulher dos diabos! Cavala!

Transcrições de conversas orkutianas…

Posted in Artigo with tags , , , on 08/29/2009 by Fernando

mulher séria Z

Resolvi colocá-las aqui. São interessantes, eu acho.

Trata-se de postagens lidas e respondidas na comunidade “Autores que têm fãs escrotos” (“Nada contra o autor, tudo contra quem virou fã dele da noite para o dia…”). Vamos aos trabalhos…

Miller (uma jovem catarinense, de seus vinte e poucos anos):

Escrotos justificados.
— Está bem, é escroto. Mas por quê?

Há limitação de caracteres no Orkut. Mas quero que imaginem toda a obra de Clarice Lispector aqui. Muito bem — é a coisa mais escrota do mundo. Por quê?
1) Foi-se o tempo em que para se desligar das coisas terrenas e objetivas você precisava ingerir chá de cogumelos. CHEGOU CLARICE LISPECTOR! direto dos escritórios NonSense, Fútil e Mayer, produto louco que deixa você insano, ô, maluco. Enlouqueça com super-asneiras como “o ovo e a galinha”, “Ulisses explicando filosofice para a Lóri” ou qqr coisa que se assemelhe a uma pseudo-tentativa pseudointelectual de criar uma trama de novela em formato “romance-cult-filosófico-existencial”. ADQUIRA JÁ CLARICE LISPECTOR! NAS PIORES — mercenárias — LIVRARIAS, LANCHONETES E LOJAS DE COISAS TEEN.
2) Aquela pose de “uh, eu sou uma escritora, uma mulher que toma opinião acerca do mundo-ovo que a cerca, uma livre-pensadora” enoja qualquer pessoa com um mínimo de fraqueza de estômago. CLARICE: A MALLU MAGALHÃES DA LITERATURA.

Resposta subsequente (minha, na pele de Belo Raiz):

Ótima postagem! Falando em Clarice…
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É muito chato a gente ler 30 páginas corridas sem encontrar porra nenhuma, nada.
Já foi tempo. Hoje em dia, passou da terceira página e não disse nada… adeus.
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Vou pelo método do grande Anton Tchekov: corte, corte ainda mais…! Já cortou?! Mais um pouco ainda… Descarte o não essencial, fuja dos adjetivos.
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Construa uma história densa, de porte, profunda – e com palavras simples, com um texto enxuto. Então, se você conseguir, eu posso afirmar: você é um escritor – e não um escroto.
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E, por falar em Tchekov (que é grafado de mil maneiras aqui no Brasil), este contista nunca foi um “teatrólogo”. Escreveu, na juventude, “O Jardim das Cerejeiras”, “A Gaivota”, “Três Irmãs” e “Tio Vânia”. Foi o que bastou.
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Foi o que bastou para que o próprio autor descartasse e maldissesse o seu “teatro”, como uma verdadeira “bosta”. Bem, não chego a tanto… Mas não é grande coisa!
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No Brasil, não. O teatreiro brasileiro, mistificador, faz aqui de Tchekov o que mais ninguém no mundo faz ou já fez. O Brasil não conhece o verdadeiro Tchekov, o contista.
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Tchekov fez bem ao parar de escrever teatro. Porque tinha mesmo era a veia de contista – um gênero fortíssimo e em nada inferior ao “romance” – tirando os fatores aritiméticos, de contagem de palavras.

Mas, como aqui ninguém está pensando em fazer continhas e nem pensa em quantidades – mas, antes, em qualidade…
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Anton Tchekov escreveu um total de mais de 600 contos, com maestria. “A Estepe”, seu trabalho mais longo, é chamado, por alguns, de “novela”. Não é. É conto. Tchekov é primordialmente um contista. Nem tentou o romance: não precisava. “A Estepe” é uma obra-prima.
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Guy de Maupassant, o maior contista de todos os tempos, segundo penso, escreveu 4 romances bons. Em nenhum desses romances chegou aos pés de qualquer um de seus próprios contos.
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O conto é foda. O conto é nocaute no primeiro assalto.
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É a “corrida dos cem metros fundos”…
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No mais, nada.

Intervenção de Tairine (menos de 20 anos de idade, de SP):

Céus. Lamentável.

Podia escrever post enormes rebatendo tais insanidades.
Mas não o farei.

Clarice Lispector , Proust,Freud,Dostoiévski e tantos mais foram necessários para a formação de Caio F.

Sem eles não há Caio.
Sem Caio não há nada recentemente muito bom , que eu me lembre.

Volto a intervir, em resposta a Tairine:

Bem. Se você algum dia resolver escrever posts enormes eu os lerei.

Desde que sejam inteligentes – ou, pelo menos, razoáveis.

Caso contrário, vala!

Os autores de que gosto, eu os gosto pelo que escreveram.

E não pelo que são. Pela roupinha que usam, pelo modinho que falam…

Ou por aquilo que eles leram.

Vou, lá na obras dos caras e leio. Leio toda.

Não dou a mínima para a estampa, estilo, escola, “descolação” e etc, naquilo que se refira a um autor.

Aliás, autor bom é autor morto.

E o teu ainda nem morreu…

Hilda, fake da modelo Ana Paula Arósio, chuta o balde:

E quem dá? A questão é: vocês estão rebatendo os fãs escrotos ou os autores? Clarice Lispector é uma excelente literatura. Não suporto literatura regional e acho romances de Guimarães Rosa limitados contextualmente. Nem por isso, vou falar que o cara é um cocô. Não é isso que está sendo questionado nessa comunidade. Se você acha Clarice a Mallu da literatura, olhe-se no espelho: você não é legal e sua fotinha descolada-bitch no profile é cafona.

Miller, a catarinense, novamente, mordidíssima:

#Querida Ana Paula Arósio maquiada pelos produtos Avon:

Estou cagando para seus gostos. E estou cagando se você é uma tosca que acha alguém "limitado contextualmente", mas não tem capacidade, coragem, envergadura moral para criticar. Por que não rebate as minhas acusações contra a Lispector ao invés de ME rebater? Você tem problemas em argumentar, em destrinchar ideias, em formular desculpas -- e então resolve xingar a pessoa em si, e não o que ela disse?

Simulação:
Jovem passando para a fase adulta: -- Acho que valorizam em demasia o Laranja Mecânica. Há dezenas de filmes melhores, com mais coerência; e há diretores que deixam esse tal Kubrick na sola do chinelo. Não entendo tanto alarde a respeito de um filminho desses.
AnaPaulaArósio|Burra|SemArgumentos: -- ui, kra, vai tomar no seu cu, meu vc naum eh NADA pra criticar o kubrick eu amUhH ele tah.

Intervenho, novamente, e o texto sai um milagre... hahahaha:

Não deixa de ser enriquecedor, o povo poder debater aqui a escrotidão do autor, além daquela que é carregada nas costas, pelo "fã-leitor".
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Afinal, são poucas as comunidades em que se pode discutir literatura. Esta aqui, por exemplo, a gente vê, está na cara, não tinha a intenção de seriedade de espécie alguma... Mas, rolou a conversa e a controvérsia sobre literatura... Então, é aproveitar!
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O paladar literário faz parte de um sistema complexo, maior. E ele vem antes, junto com o olfato, igual ocorre no ato em que uma pessoa se alimenta. Há o cheiro e o gosto, mas não para por aí, sejamos razoáveis e não tão rasos.
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Até aqui, podemos dizer, estamos falando de orelhas de livros. E não é para rir: isto agora é também uma modalidade de literatura: a literatura hors d'ouvres, para aqueles que não aguentam comer um javali inteiro, como, por exemplo, ler Guerra & Paz. Gordo e glutão, que sou, li Guerra & Paz 4 vezes. Graças aos deuses.
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Este "sistema" envolve ainda outras coisas importantes e inexoráveis: a digestão (leitura) e a excreção (miséria de quem está vivo): escrever.
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Portanto, paladar literário não pode ser realmente discutido a sério e com pretensões de apôr definições em gostos: cada qual tem o seu.
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Muito bom que haja aqui provocações, instigações - que a gente só pode fazer com outras pessoas que leem. Impossível fazer essas brincadeiras, essas provocações, com um torcedor de futebol, num estádio...
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Penso assim. Mas, é claro, estou cansadíssimo de pensar errado... Pelo menos, penso com a minha própria cabeça. Já é alguma coisa, acho.
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Finalizo, citando Caio: "O tempo que temos, se estamos atentos, será sempre exato"
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Isto, amigos, e mais uma enxurrada de sentenças do mesmo porte, é, para quem está acostumado a comer javali, dos bons, menos que uma azeitona, das pequenas, chochas e sem sal. Assim me soube ao paladar o grande Caio Fernando Abreu.

Então, Hilda, a fake da Arósio, posta 2 vezes:

Miller
Também estou cagando para você, querida. Me diga realmente, o que devo rebater? Você não disse nada de construtivo que me cause uma ruga, pelo menos. A sua postura é de adolescente junkiebitch pseudo-revoltada que acha legal criticar gente que nem liga pra sua existência. Argumentos que é bom mesmo, você não tem. Você acha Clarice vazia? Tudo bem, é um (mau) gosto seu. Agora, se quer fazer isso com classe, tem que dizer bem mais do que recorrer à suposta monotonia das obras clariceanas.

Belo Raiz
Entendo o que você diz, e é bom discutir literatura. Nesse tópico, porém, não há uma discussão literária propriamente dita. Só um achismo idiossincrático de uma mocinha que na semana passada era tão escrota quanto as pessoas que critica. Ela deve ter gastado mais tempo tirando fotos com maquiagem carregada do que lendo um bom livro propriamente. Me poupe.

Daí, entra Ana Clara, com um avatar de gato:

A propósito, Hilda, sua maquiagem é belíssima.

E, por enquanto, dá nisso, meu último post:

É por causa disto mesmo...
Que a classe vem sendo chacoteada, há séculos.
Vocês largaram tudo de lado, inclusive a literatura...
Assim não dá, só mesmo rindo....
https://baduh.wordpress.com/2009/08/29/transcricoes-de-conversas-orkutianas/

Melhorando a arte alheia…

Posted in arte, crítica social, humor, indignação with tags , , , , , , on 06/21/2009 by Fernando

se-henfil-vivesse

Uma referência a Henfil, que melhorou até mesmo Deus…

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Charge original, publicada no New York Post, quando um chimpanzé atacou – e quase matou – uma amiga de sua dona. Alguém chamou a polícia, mas o bichão encarou os cops, de boa! Então, eles, que não queriam, foram obrigados a atirar…
A charge original faz referência a Barak Obama. Houve gritaria politicamente correta e o jornal teve que desculpar-se.
Ora, Obama não é um macaco: é o Presidente dos EUA, todo mundo sabe disso! Vamos parar de babaquice? Daqui a pouco a gente não vai poder mais sacanear nem mesmo um fanho…

O original

chimpanze-original

Vamos melhorar isto!

chimpanze-melhorado

Original: nem mesmo uma legendinha!

sarna-original

Mas… vejamos o que Sarna está cantando:

sarna-melhorado

Americanos… Desenham bem, mas não sabem escrever!

ursinho-original

Ói só o que o cara estava pensando:

ursinho-melhorado

O maldito, fodendo a própria mãe, e nem uma legendinha?!

bart-original

Tiremos, ao menos, uma lição moral disto: legenda!

bart-melhorado

A charge está ótima, mas pode melhorar: Martha merece!

marta-normal

E como merece!

marta-melhorada

Poesia é comigo mesmo: não posso ver, sem melhorar!

lulu-ronaldo-original

Então, diz aí: não estava faltando um nadinha de lirismo?

lulu-ronaldo-melhorado

A gente tem que reconhecer: é uma boa charge.

lula-cagou

Mas, quem gosta de cinema mudo é surdinho…

lula-limpou

É muito difícil melhorar o Ique… Mas, não custa tentar!

ique

O imbecil é tão burro, que devia mesmo estar rezando a S. Dumont!

ique-melhorado

Solitaire

Milagre-de-Jesus

Patologias

baratas-fora

vomitório

Lulota

sonho-lindo

coalizões

eleitor

brasil-vergonhoso

popularidade

Poder

fila-inss

justiça-brasileira-melhorada

firulas-jurídicas

justicinha


Pistaches de Sabedoria…

Posted in Sabedoria às patadas, sabedoria em pedras with tags , , on 06/17/2009 by Fernando

Não-Abrem-Nunca

… e que não abrem nunca, esses malditos!

“Em verdade, em verdade vos digo: mais fácil é fazer passar um transatlântico pelo fundo de uma agulha do que fazer entrar um político no Reino Penitenciário”… (Baduh P., em parceria inédita com J. Cristo)

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“Antigamente os livros eram escritos pelos escritores, para o público. Hoje, são escritos pelo público, para ninguém”… (Oscar Wilde)

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“Dizem que o cão é o melhor amigo do homem. Mentira. O melhor amigo do homem é o uísque. O uísque é o cão engarrafado”… (V. de Morais)

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“O dinheiro compra tudo. Até amor verdadeiro”… (Nelson Rodrigues)

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“Se, no Brasil, houvesse mais homens – e menos baratas – Sarney já teria sido apedrejado há muito tempo e não nos faria esta última”… (Baduh P.)

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“Perto de casa e no trabalho, não se mostra o caralho”… (Baduh P.)

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“Veni, vidi, vici – vinho, vídeo e vício”… (translação, Pingüin Aéreo)

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“Já vi a vida imitando a arte. Pobre vida, nem sequer tem mais a inspiração para nos pregar peças originais… Eu vi a vida, bêbeda, numa viela sórdida de Dantzig, claudicando, desorientada. E também nas quebradas do Norte, fulgindo parada no Portal da Eternidade… Alguma coisa me diz que já vi este filme – num cinema vagabundo qualquer… E você, já pensou?” (Tião Microking Combo – Maconheiro)

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“Na verdade o Almirante não sabia sequer governar uma canoa; só esquadras”… (Lima Barreto em O Triste Fim de Policarpo Quaresma)

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“A jovem me escreve, dizendo que ama e que não é feliz… Ora, não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo”… (Nelson Rodrigues, no vestido de Suzana Flag, respondendo no consultório sentimental)

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“Estava assistindo um filme, na TV. Era de cowboy. Daí, comecei a contar: em menos de dez minutos, quatro americanos mataram mais de trezentos índios. No calor da luta, ultrapassaram a fronteira e mataram bem uns oitocentos mexicanos, sem parar nem mesmo para esfriar um pouco a arma… Impressionante é o americano…” (José Cordeiro, o nosso querido Cocô, com acentuação mesmo, porque é nome próprio e no tempo dele existia. Agora Cocô é morto. Mas viverá para sempre dentro de nós. Não nos intestinos, mas, no coração)

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“Agora, só me resta ser feliz”… (Romário, poucos instantes após a realização da cerimônia de seu segundo casamento, tendo, literalmente, abandonado a primeira esposa e um casal de filhos, em troca de uma modelo gostosa. O primeiro presente de casamento que a gostosa deu a Romário foi uma filha, deficiente mental)

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“Citar é uma arte. A gente nota que um citador é um imbecil quando o crédito e/ou breve observação sobre a citada citação são muito maiores que a própria citação”… (Friedrich Wilhelm Nietzsche)

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“Não tenho nada de meu. Vivo como um passarinho, ou, como um mendigo. Se muito tivesse, viveria como um sultão. O inferno é o que permeia esses dois extremos: dívidas, desejos, ambições impossíveis… Melhor não ter nada. Ou ter demais. Nunca, portanto, cair neste limbo obscuro, terrível, aflitivo, chamado mediocridade…” (Baduh P.)

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“O laboratório do humanista é todo o edifício do espírito, onde não cabem provetas, embora caibam vastidões.” (Baduh P., chapado de goró)

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“Eu não posso me dar ao luxo de perder o meu tempo ganhando dinheiro”… (Baduh P., pescando siri na Praia do Flamengo, quando foi convidado a assumir uma diretoria na Petrobrás)

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“O Brasil vem tratando, há séculos, seus furúnculos intumescidos de pus com bandeides e mercurocromo. Qualquer barbeiro sangrador sabe que a pustema pede, sim, é lanceta. O Brasil também, vem procurando resolver seus problemas, no mesmo lapso de tempo, ou seja, há centenas de anos, de maneira igual a um cão que corre atrás do próprio rabo, sem encontrar nada, é claro! No caso do totó a gente nota que, pelo menos, o bichinho está tentando atingir seu objetivo com a máxima sinceridade”… (Baduh P., pregando não a instalação de mais uma CPI, mas, sim, do regime talibã ortodoxo de Oxossi,  em Terra Brasilis)

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“Quando eu morrer, não quero festa…” (Baduh P., durante uma prédica a seus discípulos)

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“Podem me prender, podem me bater, mas eu não mudo de opinião… Daqui do lápis não respeeeito não”… (Baduh P. e Ze Keti, numa versão mais atual do belíssimo samba Opinião)

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“Quase tudo deu errado. Mesmo assim, entre uma pequena desgraça e outra, como eu me diverti nesta bosta!”… (Epitáfio de Baduh P.)

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Seção Avacalhação: ponto de vista

Posted in Observações, pauladas de sabedoria with tags , , , , , , on 06/16/2009 by Fernando

pato

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Tirando a razão, de Platão…

Posted in Ensaio with tags , , , on 06/11/2009 by Fernando

Platao-Subway

“A opinião da maioria quanto ao conhecimento é que ele não é algo poderoso, capaz de controlar e governar um homem; eles não vêem deste modo em absoluto, mas julgam que frequentemente um homem que possui conhecimento é governado não por este, mas por alguma outra coisa: em um caso a paixão, em outro o prazer, em outro a dor, às vezes a luxúria, muito comumente o medo; eles só vêem o conhecimento como um escravo que é arrastado para lá e para cá por quem o possui.
Então, você tem uma opinião semelhante com respeito ao conhecimento ou pensa que ele é algo excelente, que pode governar um homem e que, se alguém souber o que é bom ou mau, jamais será conquistado por coisa alguma de modo a agir de outra maneira que não a ditada pelo conhecimento? De fato, a inteligência é salva-guarda suficiente para um homem?”
Platão, (século IV A.C)

Não foram poucas as grandes inteligências assoladas e vencidas pela miséria. Todo o tipo de misérias, as mais mesquinhas possíveis, em casos tristemente incontáveis. Às vezes somos mesmo levados a pensar que o conhecimento, o amor e a dedicação ao pensamento, trazem em seu próprio bojo a marca da desgraça – e da solidão.

Então, a inteligência não serve para nada?

Ora, se pretendermos entender o motivo pelo qual, por exemplo, Luís de Camões morreu em estado de indigência completa, Dostoiévski viveu uma vida infelicíssima e jogou tanto, contra si mesmo, Miguel de Cervantes apodreceu no cárcere, Fernando Pessoa e Lima Barreto beberam até cair – e morrer – e tantos outros homens grandes aparentemente não souberam utilizar suas inteligências privilegiadas em proveito próprio, deixemos, desde já, o verbo transitivo indireto, servir, de lado.

Aliás, se quisermos aqui fazer um pequeno tratado sobre a sensatez, a temperança, a prudência, a abastança, falemos sobre comerciantes ricos ou funcionários palacianos bem colocados. Eles existem há milênios, como os sábios.

Tudo nos leva a crer que o surgimento de uma mente privilegiada é um fenômeno fortuito, inato e absolutamente natural. Entenda-se por natural a premissa de que, por mais que possa ser tentado, não é possível criar um gênio, propositadamente, nos bancos universitários, por exemplo.

Por motivos pouco conhecidos, mas bastante observados, a humanidade parece ter sido composta, desde tempos imemoriais, por um percentual razoável de pessoas possuidoras de inteligência mediana, uma quantidade ínfima de mentes brilhantes e um bloco majoritário de pessoas que, mesmo quando têm à sua disposição todo um arsenal educacional, ou, ainda, se tivessem, não ultrapassariam o limite daquilo que poderíamos chamar sofrível.

Não se trata de darwinismo social, nem há crenças malthusianas da parte deste escriba, que não crê em nada. São observações colhidas na história da humanidade – e também nas ruas, no meu tempo.

Não é vedado ao terceiro grupo de intelectos, aquele que denominei ilustrativamente de sofrível, o enriquecimento monetário, por exemplo, ou o progresso relativamente tranquilo numa carreira acadêmica qualquer. Por outro lado, parece não haver registro algum de uma ascensão sequer de um sofrível ao patamar imediatamente acima, o intermediário, assim como, por seu turno, ser improvável ao extremo que um mediano alcance por qualquer meio ou forma o primeiro dos patamares, aquele das mentes brilhantes.

Determinismo? Não creio. Talvez, sim, “observismo”…

Eu penso que homens brilhantes não costumam ser práticos. E que não agem assim de forma deliberada. Há um componente de sonho, de distanciamento do comezinho, que costuma fazer parte da mentalidade de homens que possuem um intelecto privilegiado. Algumas vezes esse componente pode adquirir proporções catastróficas, como ocorreu a Oscar Wilde e a Charles Baudelaire – somente para dar dois exemplos significativos, dentre centanas.

Certa vez, lendo uma boa biografia de Isaac Newton, escrita por um homem para quem a ciência não era coisa estranha, surpreendi-me bastante ao constatar que esse autor atribuía, em diversos trechos da obra, às práticas alquímicas de Newton uma fraqueza, um obscurantismo, um ranço de seu tempo. E dizia ainda ser quase inconcebível o fato de que um homem possuidor de tamanho brilhantismo pudesse deixar conviver em si mesmo ciência pura e alquimia…

Ora, talvez Newton tenha feito suas descobertas – que considero as mais importantes na história da ciência – justamente por ter sido um praticante da alquimia.

Porque o alquimista, o antigo, o clássico alquimista, aquele que chegou a queimar a mobília e as traves do teto para alimentar a chama do forno do conhecimento, era o cientista e mais o seu sonho, somados. Foi com eles que começou aquilo que hoje conhecemos como Ciência.

Quanto à citação de Platão, com a qual iniciei estas linhas, não acho que ele tenha acertado – e, muito menos, errado. Platão não fez nenhuma assertiva. Somente perguntas.

Platão não sabia as respostas… Talvez, justamente por isto, tenha sido Platão.