Delivery

Quando caíram-lhe as retinas, o cego Josias já havia completado pouco mais que dez anos como contador do Tribunal de Contas… Dizia ele que foi durante o exame de uns orçamentos onde a fraude saltava aos olhos.

Portanto, aposentou-se ainda novo, com menos de 40, levando o salário integral para sua casa agora escura. Mais tarde, um advogado de portas afora conseguiu-lhe uma indenização por insalubridade: conseguiu provar que a luz fora-lhe tomada por razões de doença laboral – mais de dez anos de vista grossa obrigatória.

Estava mais bem de vida do que jamais estivera. E cego como uma porta.

E é justamente por isto que “mandava vir” e não ia ele próprio…

Muito bem.

Já havia telefonado e esperava.

Chegou. Imediatamente ele adotou o cachorrinho, sua posição preferida… Foram só uns minutos de língua entrando em ouvido, para acender bem a moça. Ele já estava.

Arrancou a cueca, que era a única coisa que vestia dentro de casa, nos meses de Verão. Sintonizava os botões dos mamilos – e eles eram duros, firmes! -, enquanto, com a boca, continuava o trabalho de sugar aquelas orelhas cheirosas e chupar uma boca carnuda, quente e gostosa, que não podia enxergar…

É claro, durante este encaixe traseiro de bocas e pescoços meio torcidos, o cego ia com a pica – ceguíssima de ardores – buscando o talho molhado onde, entre uma arremetida e um resvalo frustrante e outro, ela, a pica pulsante e empinada em grossa verga, haveria de achar por si mesma o caminho e penetrar profundamente, até o talo e de saco puxado para trás – a modo de inteirar pica -, na menina-delivery sem nome…

Depois seria o de sempre… Um cigarro após a primeira e uma conversa leve, de ceguinho simpático… Seria, justamente neste bate-papo, entre a primeira e a segunda trepada, que surgiria naturalmente o assunto…

Que ele, um pobre homem cego, tinha lá a sua fantasia não realizada de penetrar, somente um pouquinho, somente com a cabecinha, um cuzinho – carinhosamente e só para experimentar…

Mas primeiro a caverna das delícias! Ah! E seria vara no útero, estocada mesmo, com a chapeleta rombuda e de bom calibre que Deus lhe dera… E lavar aquelas entranhas quentes com dois ou três jatos poderosos de esporra, porque os outros, os subsequentes, não seriam tão fortes… Mas, sim, ainda iria muita coisa. E, depois, mais – no segundo tempo…

Mas esta… Seria novata? Seria apertada ainda? Nunca se sabe – e tudo tem um começo, até putinha-delivery… Ou, talvez, não; podia ser por causa da sorte… essa, essazinha… roliça e cheirosa como nenhuma das que já recebera antes!… Que coisinha!

Bem. Podia era ser que ela o tivesse acendido até o ponto de que houvesse perdido o senso de direção – e já não sabia mais o que mais desejava: se sugar, resvalar, apertá-la por trás e continuar rodando-lhe as maminhas… Ou alcançar logo – mas seria acabar num instante! – àquela racha de carne molhada…

Varadíssimo, envergadíssimo e no paroxismo total do tesão, o cego Josias sentiu-se prestes e jogar tudo aquilo de leite vulcânico num lado qualquer, de fora; e isto não queria. Seria desperdício demais…

Então apelou. E largou um dos peitos, pegou a cabeça da rola – que estava pulsando mais do que coração de coelho que sabe que vai morrer… Foi guiando a caralha, com a mão, mas encontrou… outro caralho e um saco, pesado e ovudo na parte de baixo das nádegas!

Em transporte de desespero e de deleite – não fosse tudo explodir repentinamente -, guiou a glande larga e lubrificada com o espírito de esperma que já minava da uretra ao ponto de escorrer… E atolou o caralho profundamente num cu rebolante, dançante e de movimentos planetários de batedeira… Até gozar, como nunca havia gozado – jamais! – antes…

Trimm… Trimm… Trimm…

- Alô! Seu Josias?

- Ele mesmo! Não tinha outra hora para ligar?

- O senhor desculpe… Houve um engano… Quando a moça chegar aí…

- O que aconteceu?

- Ela pegou a “comanda” errada. Ela era para outro cliente… O senhor mande voltar, sim?

- Voltar?…

- Sim. Assim que chegar aí. Porque já mandamos a garota certa… Já vai chegar… meia hora…

- Tá. Eu mando embora.

Em seguida, o cego tentou recolocar o telefone no gancho… mas… estava ainda tonto… e não encontrava a base do aparelho: descompensado, lânguido; desfalecia – quase…

Atirou o fone no chão e abraçou novamente, com ardor redobrado, a mocinha maravilhosa – que viera por engano…

- Você não volta mais, viu? Se quiser, fica aqui… Mora comigo – e eu te dou de tudo…

- Danadinho…

- E agora me enraba, mulher dos diabos! Cavala!

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