
Resolvi colocá-las aqui. São interessantes, eu acho.
Trata-se de postagens lidas e respondidas na comunidade “Autores que têm fãs escrotos” (“Nada contra o autor, tudo contra quem virou fã dele da noite para o dia…”). Vamos aos trabalhos…
Miller (uma jovem catarinense, de seus vinte e poucos anos):
Escrotos justificados.
– Está bem, é escroto. Mas por quê?
Há limitação de caracteres no Orkut. Mas quero que imaginem toda a obra de Clarice Lispector aqui. Muito bem — é a coisa mais escrota do mundo. Por quê?
1) Foi-se o tempo em que para se desligar das coisas terrenas e objetivas você precisava ingerir chá de cogumelos. CHEGOU CLARICE LISPECTOR! direto dos escritórios NonSense, Fútil e Mayer, produto louco que deixa você insano, ô, maluco. Enlouqueça com super-asneiras como “o ovo e a galinha”, “Ulisses explicando filosofice para a Lóri” ou qqr coisa que se assemelhe a uma pseudo-tentativa pseudointelectual de criar uma trama de novela em formato “romance-cult-filosófico-existencial”. ADQUIRA JÁ CLARICE LISPECTOR! NAS PIORES — mercenárias — LIVRARIAS, LANCHONETES E LOJAS DE COISAS TEEN.
2) Aquela pose de “uh, eu sou uma escritora, uma mulher que toma opinião acerca do mundo-ovo que a cerca, uma livre-pensadora” enoja qualquer pessoa com um mínimo de fraqueza de estômago. CLARICE: A MALLU MAGALHÃES DA LITERATURA.
Resposta subsequente (minha, na pele de Belo Raiz):
Ótima postagem! Falando em Clarice…
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É muito chato a gente ler 30 páginas corridas sem encontrar porra nenhuma, nada.
Já foi tempo. Hoje em dia, passou da terceira página e não disse nada… adeus.
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Vou pelo método do grande Anton Tchekov: corte, corte ainda mais…! Já cortou?! Mais um pouco ainda… Descarte o não essencial, fuja dos adjetivos.
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Construa uma história densa, de porte, profunda – e com palavras simples, com um texto enxuto. Então, se você conseguir, eu posso afirmar: você é um escritor – e não um escroto.
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E, por falar em Tchekov (que é grafado de mil maneiras aqui no Brasil), este contista nunca foi um “teatrólogo”. Escreveu, na juventude, “O Jardim das Cerejeiras”, “A Gaivota”, “Três Irmãs” e “Tio Vânia”. Foi o que bastou.
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Foi o que bastou para que o próprio autor descartasse e maldissesse o seu “teatro”, como uma verdadeira “bosta”. Bem, não chego a tanto… Mas não é grande coisa!
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No Brasil, não. O teatreiro brasileiro, mistificador, faz aqui de Tchekov o que mais ninguém no mundo faz ou já fez. O Brasil não conhece o verdadeiro Tchekov, o contista.
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Tchekov fez bem ao parar de escrever teatro. Porque tinha mesmo era a veia de contista – um gênero fortíssimo e em nada inferior ao “romance” – tirando os fatores aritiméticos, de contagem de palavras.
Mas, como aqui ninguém está pensando em fazer continhas e nem pensa em quantidades – mas, antes, em qualidade…
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Anton Tchekov escreveu um total de mais de 600 contos, com maestria. “A Estepe”, seu trabalho mais longo, é chamado, por alguns, de “novela”. Não é. É conto. Tchekov é primordialmente um contista. Nem tentou o romance: não precisava. “A Estepe” é uma obra-prima.
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Guy de Maupassant, o maior contista de todos os tempos, segundo penso, escreveu 4 romances bons. Em nenhum desses romances chegou aos pés de qualquer um de seus próprios contos.
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O conto é foda. O conto é nocaute no primeiro assalto.
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É a “corrida dos cem metros fundos”…
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No mais, nada.
Intervenção de Tairine (menos de 20 anos de idade, de SP):
Céus. Lamentável.
Podia escrever post enormes rebatendo tais insanidades.
Mas não o farei.
Clarice Lispector , Proust,Freud,Dostoiévski e tantos mais foram necessários para a formação de Caio F.
Sem eles não há Caio.
Sem Caio não há nada recentemente muito bom , que eu me lembre.
Volto a intervir, em resposta a Tairine:
Bem. Se você algum dia resolver escrever posts enormes eu os lerei.
Desde que sejam inteligentes – ou, pelo menos, razoáveis.
Caso contrário, vala!
Os autores de que gosto, eu os gosto pelo que escreveram.
E não pelo que são. Pela roupinha que usam, pelo modinho que falam…
Ou por aquilo que eles leram.
Vou, lá na obras dos caras e leio. Leio toda.
Não dou a mínima para a estampa, estilo, escola, “descolação” e etc, naquilo que se refira a um autor.
Aliás, autor bom é autor morto.
E o teu ainda nem morreu…
Hilda, fake da modelo Ana Paula Arósio, chuta o balde:
E quem dá? A questão é: vocês estão rebatendo os fãs escrotos ou os autores? Clarice Lispector é uma excelente literatura. Não suporto literatura regional e acho romances de Guimarães Rosa limitados contextualmente. Nem por isso, vou falar que o cara é um cocô. Não é isso que está sendo questionado nessa comunidade. Se você acha Clarice a Mallu da literatura, olhe-se no espelho: você não é legal e sua fotinha descolada-bitch no profile é cafona.
Miller, a catarinense, novamente, mordidíssima:
#Querida Ana Paula Arósio maquiada pelos produtos Avon:
Estou cagando para seus gostos. E estou cagando se você é uma tosca que acha alguém "limitado contextualmente", mas não tem capacidade, coragem, envergadura moral para criticar. Por que não rebate as minhas acusações contra a Lispector ao invés de ME rebater? Você tem problemas em argumentar, em destrinchar ideias, em formular desculpas -- e então resolve xingar a pessoa em si, e não o que ela disse?
Simulação:
Jovem passando para a fase adulta: -- Acho que valorizam em demasia o Laranja Mecânica. Há dezenas de filmes melhores, com mais coerência; e há diretores que deixam esse tal Kubrick na sola do chinelo. Não entendo tanto alarde a respeito de um filminho desses.
AnaPaulaArósio|Burra|SemArgumentos: -- ui, kra, vai tomar no seu cu, meu vc naum eh NADA pra criticar o kubrick eu amUhH ele tah.
Intervenho, novamente, e o texto sai um milagre... hahahaha:
Não deixa de ser enriquecedor, o povo poder debater aqui a escrotidão do autor, além daquela que é carregada nas costas, pelo "fã-leitor".
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Afinal, são poucas as comunidades em que se pode discutir literatura. Esta aqui, por exemplo, a gente vê, está na cara, não tinha a intenção de seriedade de espécie alguma... Mas, rolou a conversa e a controvérsia sobre literatura... Então, é aproveitar!
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O paladar literário faz parte de um sistema complexo, maior. E ele vem antes, junto com o olfato, igual ocorre no ato em que uma pessoa se alimenta. Há o cheiro e o gosto, mas não para por aí, sejamos razoáveis e não tão rasos.
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Até aqui, podemos dizer, estamos falando de orelhas de livros. E não é para rir: isto agora é também uma modalidade de literatura: a literatura hors d'ouvres, para aqueles que não aguentam comer um javali inteiro, como, por exemplo, ler Guerra & Paz. Gordo e glutão, que sou, li Guerra & Paz 4 vezes. Graças aos deuses.
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Este "sistema" envolve ainda outras coisas importantes e inexoráveis: a digestão (leitura) e a excreção (miséria de quem está vivo): escrever.
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Portanto, paladar literário não pode ser realmente discutido a sério e com pretensões de apôr definições em gostos: cada qual tem o seu.
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Muito bom que haja aqui provocações, instigações - que a gente só pode fazer com outras pessoas que leem. Impossível fazer essas brincadeiras, essas provocações, com um torcedor de futebol, num estádio...
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Penso assim. Mas, é claro, estou cansadíssimo de pensar errado... Pelo menos, penso com a minha própria cabeça. Já é alguma coisa, acho.
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Finalizo, citando Caio: "O tempo que temos, se estamos atentos, será sempre exato"
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Isto, amigos, e mais uma enxurrada de sentenças do mesmo porte, é, para quem está acostumado a comer javali, dos bons, menos que uma azeitona, das pequenas, chochas e sem sal. Assim me soube ao paladar o grande Caio Fernando Abreu.
Então, Hilda, a fake da Arósio, posta 2 vezes:
Miller
Também estou cagando para você, querida. Me diga realmente, o que devo rebater? Você não disse nada de construtivo que me cause uma ruga, pelo menos. A sua postura é de adolescente junkiebitch pseudo-revoltada que acha legal criticar gente que nem liga pra sua existência. Argumentos que é bom mesmo, você não tem. Você acha Clarice vazia? Tudo bem, é um (mau) gosto seu. Agora, se quer fazer isso com classe, tem que dizer bem mais do que recorrer à suposta monotonia das obras clariceanas.
Belo Raiz
Entendo o que você diz, e é bom discutir literatura. Nesse tópico, porém, não há uma discussão literária propriamente dita. Só um achismo idiossincrático de uma mocinha que na semana passada era tão escrota quanto as pessoas que critica. Ela deve ter gastado mais tempo tirando fotos com maquiagem carregada do que lendo um bom livro propriamente. Me poupe.
Daí, entra Ana Clara, com um avatar de gato:
A propósito, Hilda, sua maquiagem é belíssima.
E, por enquanto, dá nisso, meu último post:
É por causa disto mesmo...
Que a classe vem sendo chacoteada, há séculos.
Vocês largaram tudo de lado, inclusive a literatura...
Assim não dá, só mesmo rindo....
http://baduh.wordpress.com/2009/08/29/transcricoes-de-conversas-orkutianas/

































